Relógios são coisas que sempre me... assombraram. Não sei bem se é bem essa a palavra, acho que também nem tem uma palavra correta, assim, que se encaixe perfeitamente.
Me lembro da infância, quando fazia algo merecido de castigo, o meu era num quarto, sozinha, por um determinado tempo; o que pra mim, que nunca gostei do “estar presa”, era o fim do mundo. Eu não faço idéia do tempo que eu ficava, acho que nem muito, mas tinha naquele quarto um relógio, e meu pai indicava a posição que o mesmo deveria estar para que minha liberdade fosse novamente permitida.
Tenho quase certeza de que não era nem uma hora a minha eternidade dentro daquele quarto, mas ver o tempo passando, as voltas do ponteiro de segundos, por mais que o tempo não fosse tanto, era meio desesperador encarar o movimento daqueles ponteiros, parecia que não ia passar nunca.
Estou aqui agora, vivendo quase a mesma coisa, “presa” numa sala de aula, olhando para o meu relógio, tentando acelerar o tempo com os olhos, enquanto 10 minutos passam feito horas, refletindo o quanto é desesperador observar a passagem do tempo, ver os dias, as semanas e os meses passarem arrastados, fazendo o possível para ignorar e viver um dia de cada vez, centrar-se na vida, no presente, nos sonhos... não no tempo.
23/03/2010 - 01/03/2010
1 comentários:
Amei o texto.
"É, o tempo..."
rs
:*
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